domingo, 9 de julho de 2017

Conhece a ti mesmo

     A busca, porque realizá-la? Tive oportunidade de entender que, o simples fato de buscar indica que reconhecemos em nós alguma deficiência, o que por si só já é o início de uma caminhada para algum tipo de evolução. Podemos empreender essa busca por diversos caminhos, e quando digo caminhos refiro-me às diversas linhas de pensamento (religiões, filosofias, fraternidades ...) com todas as diferenças que podemos notar claramente entre elas, existem pontos chave em que se consolidam entendimentos bastantes semelhantes, senão idênticos. Em algum momento encontraremos o Centro, a Verdade, o Summum Bonum, o Pai; e esse encontro é a razão última da busca.

 
     Nessa senda que leva à Luz Maior encontramos vários outros viajantes, e aqui, ao contrário do parágrafo anterior, não falo dos sistemas religiosos ou filosóficos estabelecidos, mas do que interiorizamos a partir deles; por vezes imaginamos viajar a mesma viagem, mas esse é um caminho solitário, ainda que percorramos trechos juntos nunca teremos companhia por todo o trajeto, e mesmo esses trechos serão pequenos e raros. Nesses momentos devemos ter dois cuidados especiais, o primeiro é o de não pretender influenciar esse companheiro com nossas interpretações; o segundo é o de não nos deixar influenciar por sua interpretação e eloquência, por mais que pareça clara e racional. Dados os diferentes níveis de evolução espiritual, obviamente, a clareza e profundidade das compreensões serão díspares, por vezes até conflitantes. Saber o momento de deixar um companheiro de viagem é algo indispensável e por vezes aprendido a duras penas, é sempre bom lembrar que não se mede o nível de evolução espiritual de outrem em nenhuma situação, principalmente considerando quanto tempo tem de engajamento à instituição A ou B, se leu o autor C ou D, se escreveu o texto E ou F, ou ainda se realizou a cerimônia G ou H. Portanto cabe ao viajante avaliar somente a si, considerar seus motivos, suas necessidades, sua satisfação, sua paz e principalmente sua fé no caminho que tem percorrido.
     Tenho convicção de que na busca pelo auto conhecimento conquistaremos não só o auto domínio, mas também a capacidade de viver em harmonia com nossos irmãos ainda que nossas ideologias sejam radicalmente diferentes, o que em tese trará uma época de paz e fraternidade para esse mundo em transformação.

▽Frater Cognitor▲

segunda-feira, 19 de junho de 2017

À vida, do começo ao fim do começo, ao fim do começo, ao fim do começo

do Éter para o denso

do universo para o olho.
do olho para a mente.
da boca para o ouvido.
do papel para o silício.

de alma para alma
Tudo aqui, eternamente agora.
a ciência não é o que se descobre,
mas o que se pensa e, principalmente,
o que se sente sobre o descoberto.



viver é aprender a sentir.
sentir sentido no que se vive.
a condecoração não faz o herói.

o título é apenas suporte.
o livro é apenas suporte.
o texto é apenas suporte.
C6H12O6 é apenas suporte.

a vida está no sentimento;
no movimento;
no inquietamento diante do inexplicável ...

é saber que não se sabe.
é viver que não se cabe.
é amar que não se mede.

...

frater Cognitor

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sê como tu é (maturidade)

     Algum tempo atrás tive a oportunidade de escrever neste blog sobre o que a vida espera de nós, responsabilidade, ultimamente estive pensando que não poderemos ser responsáveis se não tivermos maturidade; não falo aqui da maturidade de nos acharmos velhos ou dignos de algum respeito, assim como não falo da responsabilidade imputada ou responsabilização, mas sim da obrigação moral que sentimos de responder pelas nossas próprias ações quando atingimos a maturidade, ou seja, a compreensão de que não passamos de um vapor que aparece por um pouco, e logo depois se desvanece.
     Essa maturidade é muito interessante, ela nos liberta das preocupações com o status, com o julgamento alheio, com a aparência e com os problemas que não existem; ultimamente tenho falado muito desse assunto, todo problema tem sua solução, seja ela difícil ou fácil, se você consegue pensar num problema insolúvel, então o que tem em mente simplesmente não é um problema, mas sim um fato; então o que fazemos com fatos? Bem, com fatos convivemos, da melhor maneira possível, e seguimos a vida a pesar deles; essa compreensão é prova de maturidade; pensemos nos atletas pára-olínpicos, perfeitos exemplos do que é a compreensão da diferença entre o problema e o fato.
     É esse tipo de maturidade que devemos perseguir, a maturidade capaz de tornar cada um de nós como o menino, aptos a encararmos um novo dia, um novo desafio, aptos a nos surpreendermos com algo, a experimentarmos o que a vida tem a nos oferecer; a nos machucarmos no caminho mas não nos determos por isso no processo de auto descoberta do nosso lugar no mundo e do nosso mundo no lugar, o menino sabe intuitivamente; o processo de tolhir o "olhar" analítico, de adequar o comportamento, de alocar aquele indivíduo num nicho da sociedade mina paulatinamente a capacidade de ser e deixar ser quem se é.
     Ele está aí, esse menino interior, apenas aguardando o momento de explorar a vida e rir do que se entende e do que não se entende.

Paz Profunda!
Michel Figueira

domingo, 26 de março de 2017

Coragem caminhante

     Uma bela contribuição do nosso digno frater Afectator a quem agradeço pelo carinho e confiança.

     É necessário correr o risco de viver, é mesmo impossível não fazê-lo, segundo Jean Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre; portanto é necessário perguntar a si mesmo sobre o que lhe traz felicidade e estar em harmonia com suas verdades mais íntimas. Lembro-me quando atravessei certos portais temendo situações que não passavam de erros de interpretação e invenções de minha própria imaginação; fui admitido a essa nova realidade, com passos vacilantes e ansiosos fiz minhas primeiras interferências, contemplei o dom dos meus antecessores, a fraterna cordialidade, abnegação e empenho, tudo agora acontece pra mim em alta velocidade... O poder da paciência e perseverança...


     Seja a virtude que você deseja, espere, seja a luz para os que ainda não enxergaram e espere, aguarde e sinta!!! Não podemos mudar o exterior sem antes passear pelos fantásticos ermos, o grande além de dentro, acredite, persevere, acorde o amor, o poder, que sempre existiu em você...
Fr Afectator.

     Agradecemos por mais essa bela contribuição e chamamos para que compartilhe conosco da tua sabedoria e sempre rogue a Deus pela paz e harmonia universal.

Paz Profunda !

sábado, 25 de março de 2017

Integridade de vida

     A vida é muito mais simples do que apregoam os pseudo-sábios; as Leis de Deus não têm brechas como as dos homens, para os quais, segundo um doutor que foi meu professor na faculdade, o direito é a ciência das exceções; as Leis de Deus são transversais a todos os planos, eu disse todos, se uma lei secular lhe parece injusta ou incoerente pode ser que sua percepção esteja perfeitamente bem fundamentada, mas não acredite por isso que essa legislação tenha escapado aos decretos cósmicos, ela pode estar realmente oposta à nossa interpretação da Lei de Deus mas seus efeitos estão indubitavelmente sendo alvo dela, causando o "incômodo" ao legislador, à casa que legislou e, incontáveis vezes, aos cidadãos que têm condições de equacionar essas questões; as Leis de Deus agem a todo tempo e em todo lugar, uma que explica porque existem leis seculares e atitudes que parecem se opor às Divinas é o livre arbítrio, através desta Lei podemos evoluir pois, sendo responsáveis por nossos atos, obtemos o mérito por nossa própria evolução e, claro, ao usarmos mal a liberdade que temos, criamos a ilusão de estarmos agindo contra Suas Leis, bem como tornamo-nos algozes de nós mesmos ao passo que infringimos Leis eternas, imutáveis, e infalíveis atraindo sobre nós suas consequências, como descrito no capítulo 5 do livro de Deuteronômios, em seu versículo 9, " ... sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem." Esse versículo é muito interessante pois fala não só da Lei, mas também esclarece que nada escapa das Leis do Altíssimo, que zela pela manutenção de Seus desígnios, pra falar um pouco dessa lei vou contar uma conversa que tive com meu filho na segunda, dia 29 de abril, dizia eu para meu filho que observasse tudo o que ele pudesse de sua mãe e de mim pois, muito do que ele será pode ser percebido assim, e que se algo não o agrada, que ele lute contra, os biologistas chamam isso de genética, mas será que a genética já conseguiu isolar o gene que determina uma mania? Ou um temperamento?

     É interessante lembrar que somos seres multidimensionais, não somos, na prática, corpo, alma e espírito; essa divisão tem validade apenas didática, na prática somos tudo isso, e mais, ao mesmo tempo; então se tenho uma dependência química, logicamente, isso interfere no meu espírito, no meu psiquismo, no meu familiar, no meu financeiro pois, tudo está funcionando, ou melhor, tudo é em conjunto; aproveito pra propor um excerto da obra "O Meio Divino", de Pierre Teilhard de Chardin, padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo.




"Não esqueçamos que a alma humana por mais criada à parte que a nossa filosofia a imagina, é inseparável, no seu nascimento e na sua maturação, do Universo onde nasceu. Em cada alma Deus ama e salva parcialmente o Mundo inteiro, resumido nesta alma dum modo particular e incomunicável".

    Depois de tanto tempo sem postar aqui nesses espaço reservado a compartilhar nossas ideias, nossos estendimentos, nossas vivências e sentimentos, convido aos amados que considerem com sinceridade essas palavras, agradeço pela paciência e apoio daqueles que ombrearam comigo, física, psíquica ou espiritualmente no desafio que acabo de cumprir, aos dignos irmãos da Luz Maior o meu Paz Profunda !

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Espiritualidade, religião e fé

Sempre me questiono quanto às diferenças entre espiritualidade, fé e religião, quanto às suas interações, inter-relações; acho que seria exercício longo, extenuante e inconclusivo tentar analisar todos esses aspectos, não obstante, peço que me acompanhem num pequeno e particular exercício analítico:

- Espiritualidade, fé e religião são todos aspectos só encontrados no ser humano, portanto podem ser entendidos como questões não naturais;

- Podem ser aspectos compreendidos como inerentes à intelectualidade, particularidade que nos põe numa perspectiva exclusivamente humana;

Mas quem disse que o ser humano não é parte da vida natural da terra? E porque tendemos a entender os processos de criação das religiões exclusivamente como respostas intelectuais?

Prossigamos, interessantemente as religiões exigem fé em determinados postulados, os dogmas, e de alguma forma tentam sempre padronizar a espiritualidade no sentido de ditar sua experimentação "normal", outro fato interessante a observar é que a fé exigida é incompatível com o estudo, algo que muitas pretendem oferecer segundo seus próprios critérios; digo que é incompatível pois a fé é a firme convicção nas coisas que não se pode provar; então o ensino baseado num modelo cartesiano de pensamento, que afirma que a razão é a única via segura pela qual o conhecimento pode ser obtido, é incompatível com a fé em algo que não se pode provar, mensurar ou demonstrar; interessante também termos em mente que o homem é um ser gregário, e como tal, por várias vezes, se viu impelido a aceitar como válida a ideia convencionada como correta a fim de se ver inserido em um grupo, isso me lembra relatos de casos ocorridos durante a segunda grande guerra onde esposas denunciavam maridos, filhos denunciavam pais, irmãos entregavam irmãos, por não aceitarem as idéias megalomaníacas, então convencionadas como certas, de uma raça pura e superior; algo que compreendi foi que a religião como entidade, como pessoa, tem também seus mecanismos de defesa e autoproteção mas, gosto de lembrar que não há religião superior à verdade.

Agora entendo que espiritualidade é algo muito abrangente, particular e, por vezes, que se pratica sem perceber, nela e através dela demonstramos nossos melhores traços, nossa ética, altruísmo e solidariedade; ela pode ser praticada por cientistas e até por ateus declarados tendo em vista que não necessariamente pressupõe a existência de uma ser criador e soberano mas, sempre é a "materialização de um espírito", o espírito da raça humana, o reconhecimento de si no outro;

Quanto à fé sinto grande dificuldade para expressar-me, a fé é algo tão exclusivamente particular que talvez não possa ser explicada visto que toda explicação é uma delimitação, existem tantas fés quanto seres humanos, mas vou falar de uma fé que tenho observado tem ganhado espaço, a fé no acaso, no não fazer; de alguma forma é algo natural visto que é diretamente proporcional à necessidade de proteção divina; por exemplo: vemos pessoas mal instruídas, carentes financeiramente na maioria das vezes dizendo na porta de um hospital público que, "com fé em deus, conseguirão atendimento e alívio para seus sofrimentos", fé no acaso, mesmo contrariando todo o histórico da saúde pública algo acontecerá e seremos atendidos; o problema com isso é o que acaba manifestando-se na prática,  amanhã estaremos novamente votando nos mesmos candidatos e até nos aborrecendo caso alguém levante uma suspeita contra eles. Como sempre digo a vida cobra de nós cada vez mais responsabilidade, conosco e com a coletividade, e a responsabilidade é prática, ela precisa ter aplicação prática; imaginemos que naquele domingo, dia 27 de janeiro, um jovem chegasse à Boate Kiss e pedisse ao gerente pra ver os sistemas de prevenção contra incêndio e pânico, sem dúvida ele seria convidado a se retirar se não sofresse agressão física por isso; a responsabilidade por minha integridade física tem de partir de mim mesmo.

Diga sua opinião, participe.

A Paz !!!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Pensamento e ação ou pensamentos, palavras e emoções

     Que assunto nos captura? Que coisa absorve-nos? Noutro momento o assunto que chamava-me a atenção era estudado, praticado, perseguido à exaustão. O assunto era poesia? Buscava-se incansavelmente material para leitura, escrevia-se freneticamente, buscava-se pessoas com o mesmo interesse. O assunto era futebol? Lia-se as reportagens sobre os melhores campeonatos, sobre seus atletas, aproveitava-se toda oportunidade de ver e praticar. Nossas opiniões neste processo eram formadas sob muito trabalho e dedicação. 
     Vivemos um momento ímpar de nossa civilização, todos temos direito à opinião, todos temos direito de dizer o que pensamos, todos queremos ser ouvidos, e a maioria de nós pretende ter sua opinião aceita, mas sobre quê tem se fundamentado essas opiniões, que são tantas e sobre tantos temas? Temos investido o necessário esforço na compreensão dos assuntos dos quais pretendemos opinar? Temos praticado o suficiente pra descobrir os verdadeiros desafios envolvidos na manutenção das coisas?



     Ouvimos críticas sobre tudo e por toda parte, raramente se escuta uma sugestão e mais raro ainda uma que se fundamente no conhecimento das causas e das coisas, no entanto, na prática uma sugestão é só mais uma ideia, vivemos num mundo virtual, as ideias não passam hoje de palavras que temos o direito de falar, ou melhor, de teclar, mas não a obrigação de implementar; é quase um insulto esperar que eu desenvolva a ideia que verbalizei. São tempos paradoxais, nunca houve uma tão grande oferta de informação, porém, nunca houve tanta indiferença para com a prática, quase uma completa incapacidade de entender como esses dados funcionam no mundo real, estamos presos num mundo de pensamentos e palavras que morrem antes de, cumprindo seu ciclo, virem ação; particularmente, entendo que é a deficiência do raciocínio lógico capaz de antever o funcionamento da vida sob a influência prática de nossas ações, como disse, fruto de nossos pensamentos e palavras.
     Enfim, parafraseando o filósofo alemão Schopenhauer, o que move o homem não são as coisas, mas sua opinião sobre elas; portanto, se estamos num lugar no qual não encontramos como nos engajar, provavelmente estamos no lugar errado.