segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

A Mosca Azul

     Meus irmãos, a Paz seja conosco.

     Hoje pretendo falar de algo que é relativamente comum nos movimentos esotérico-espiritualistas, a armadilha de sentir-se mais preparado, mais sábio que o outro. O tempo de afiliação a um grupo não significa exatamente que somos mais capazes e preparados para as vicissitudes do que um irmão recém chegado, significa tão somente que talvez tenhamos nos familiarizado mais com as práticas e cultura daquele grupo ao qual estamos afiliados; por vezes somos procurados para tratar de assuntos particulares, pessoais ou delicados, nessa hora devemos ter em mente que somos tão humanos e estudantes quanto nosso irmão aflito, é preciso manter os pés no chão e entender que estamos todos no mesmo nível, nunca nos portar como aquele que conhece o caminho, que tem as respostas, lembremos que a humildade é característica das grandes almas, lembremos também que geralmente só é necessário deixar que nosso irmão fale, aliviando assim seu sofrimento.



     É preciso ter em mente que na humildade residem a força e eficácia do trabalho espiritual, não no tempo de afiliação a alguma instituição, não nos títulos e/ou diplomas por ela expedidos, não no cargo ou função que se ocupa, não na bela retórica, não na teoria dos livros ou nas palavras dos eruditos, nem tão pouco na pseudo sabedoria; disse o Mestre Jesus, o Cristo, conforme registrado no evangelho de São Mateus, no versículo 29, do capítulo 11: " ... aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas." Não nos deixemos ser picados pela mosca azul, quanto mais se aprende, tanto mais se é cobrado; um engano muito comum após alguns anos de caminhada espiritual é acreditarmos que estamos imbuídos de alguma missão salvadora, do título de defensor da sabedoria ou da tradição, é triste constatarmos que temos a necessidade de apontar nossos próprios méritos, ou o que acreditamos serem méritos; nessas ocasiões podemos ser enredados pelo canto da sereia e num rompante de grandeza até devanearmos; esse meus amados é um dos maiores perigos na senda da espiritualidade e o primeiro que se apresenta quando se alcança um nível mediano de ascensão dentro de uma instituição espiritualista.

     Acautelai-vos meus irmãos da lisonja, ela plantada no nosso coração vai corromper todo um trabalho até então realizado, e comprometer o restante da caminhada; manter os pés no chão, saber de onde viemos e ter o olhar fixo no objetivo de servir a Deus são precauções que podem livrar-nos de muitos constrangimentos.


Frater Cognitor

domingo, 24 de dezembro de 2017

Então é Natal !!!

Republicado, publicado originalmente aqui no blog em 24 de dezembro de 2011.


Então é natal, a festa cristã . . .
Ops, peraí, mas várias religiões tem comemorações especiais em dezembro, no entanto, o que se comemora, se é o nascimento de um deus, a vitória sobre um inimigo ou, a morte de um ditador, não faz muita diferença; o que interessa é que todas essas celebrações indicam algo de especial nesta época, algo que facilita a harmonia ou rearmonização entre os seres, o que quero é indicar a sabedoria mais uma vez implícita no cotidiano, enquanto o comércio se aquece, as pessoas estouram seus cartões de crédito, e as crianças aguardam seus brinquedos; a vontade de estar com as famílias e rever as pessoas com as quais não temos convivido insinua-se, por menos que nos foquemos objetivamente nestes pensamentos eles teimam em vir à tona, por vezes nos surpreendemos de súbito imaginando como seria bom poder estar algumas horas a mais, talvez no próximo ano, com tal ou qual pessoa e é aí que reconheço a sabedoria do Eterno nesses acontecimentos, imagine que seria da sociedade se não houvesse essa breve pausa para valorizar os contatos afetivos, sejam eles familiares ou de amizade, antes de se iniciar um novo ciclo, um novo ano. Já virou até anedota as resoluções de fim/início de ano, emagrecer, gastar menos, praticar mais atividades físicas, deixar de fumar, deixar de beber e tantas outras; há também aquelas das quais nem nos damos conta de que fizemos e, sem dúvida, entre elas está sempre estar mais junto da família; sim, acredito que essa também não será cumprida, mas pouco importa, na verdade o importante é que ainda se valoriza os laços, e assim ainda temos raízes, pessoas a quem admirar, a quem prestar contas, por quem lutar e se manter num bom caminho.



Quero invocar as bençãos do Deus Único sobre a tua vida hoje, elas trazem consigo a Paz dos inocentes e a coragem dos competentes, brilhe dentro de ti o archote do amor divino para que sejas luz e referência no mundo, tua simples presença trará consolo e alívio ao sofrimento alheio, tua palavra será bálsamo e refrigério. Receba neste natal uma guarnição de fiéis companheiros que acamparão ao teu redor porquanto tu és filho do Altíssimo!
Assim seja!

Obs.: Sim o Natal é uma festa cristã, não é a única festa em dezembro mas é exclusivamente cristão.

domingo, 27 de agosto de 2017

Alchimicus vitam



     Sabe aquele dia que em que tudo se encaixa? Os amigos se encontram por acaso, as boas notícias chegam em abundância, parece que o cheiro do pão fresco ficou no ar até a hora do almoço. Pois é, acontece pra todo mundo, lógico, para alguns mais que para outros, taí! Será que conseguiríamos de algum modo aumentar a frequência desses dias nas nossas vidas? Pasmem, a resposta é sim, sim conseguiríamos. Mas como? Bom, antes de revelar este "segredo" dos sábios permita-me pontuar alguns aspectos importantes:

     1º- nesta terra nossas vidas jamais terão 100% de dias assim, porquê? Porque nossas existências aqui têm o objetivo de preparar-nos e essa preparação sempre envolve alguma resistência, voltaremos a falar disso adiante;

     2º- independente de quanta resistência ofereçamos individualmente, existe uma necessidade de se trabalhar o coletivo, portanto, a resistência de nossos irmãos sempre trará um atraso coletivo;
     
"... no mundo tereis aflições, mas tendes bom ânimo, eu venci o mundo"
Jesus, o Christo. Evangelho de São João 16:33.

     Esse pequeno excerto do texto bíblico sintetiza bem o antigo segredo dos sábios, vamos então desvelá-lo. Por conta dos aspectos comentados no parágrafo anterior compreende-se que teremos "aflições" na forma de desafios, temores e dúvidas, no entanto, o Messias, que sempre ensinou pelo exemplo, emenda: "- tende bom ânimo, eu venci o mundo." O não ter bom ânimo é o resistir, o ceder aos maus pensamentos é resistir, porquê resistir? Porque causa uma resistência à evolução inexorável que se procede em todo o universo.

“Aqueles que não aprendem nada sobre os fatos desagradáveis de suas vidas, forçam a consciência cósmica que os reproduza tantas vezes quanto seja necessário, para aprender o que ensina o drama do que aconteceu. O que negas te submete. O que aceitas te transforma. “
Carl Gustav Jung

      Não é a primeira vez que temos a oportunidade de falar dessa técnica por este canal, mas depois de um trabalho belíssimo do qual tivemos a honra e satisfação de participar hoje, resolvi ser um pouco mais enfático e específico neste particular, portanto eis a técnica: viva a vida de forma leve, não espere grandes acontecimentos nem para melhor nem para pior, as grandes alegrias estão nos pequenos detalhes; mantenha uma visão otimista, não busque o que rebaixa a moral, quem procura acha; seja sempre educado e pacífico, não se perde nada em ouvir a argumentação alheia; não emita tua opinião, salvo se solicitada, necessária e se for promover o progresso, em boca fechada não entra mosca; não entre em batalhas desnecessárias, porém não se omita ante a injustiça, para que o mal vença bastar que os bons cruzem os braços; pratica mais o ouvir que o falar, por isso dois ouvidos e apenas uma boca; cumpra com os compromissos assumidos, o combinado nunca sai caro; não recue ante o desafio, mas planeje antes do primeiro passo; se o que pensa em fazer não pode ser de conhecimento ostensivo, não faça, só os tolos trazem vergonha sobre si; se puder ajudar ajude, se não puder não atrapalhe, quem não vive para servir não serve para viver; agradeça, a gratidão é a virtude das almas nobres.

     Como podemos observar são atitudes simples, mas o viver franco, sem reservas mentais, preconceitos e ansiedades nos põe em harmonia com as forças mais construtivas do universo e por afinidade atraem o que há de mais suave e agradável para nossa curta passagem por esse plano de existência.

Frater Cognitor

sábado, 26 de agosto de 2017

Cegueira acerca de si

     Em recente debate com alguns irmãos pudemos discorrer sobre o orgulho e a vaidade, na ocasião sugeri que buscássemos os aspectos positivos de tais sentimentos, como podem imaginar não foi dos exercícios mais fáceis. O orgulho é mais suave de tratar por esse ângulo visto que é definido nos mais populares dicionários da língua portuguesa como sendo o sentimento de dignidade pessoal, brio ou altivez antes de entrar nas definições pejorativas do excesso de estima e admiração próprios, portanto, o orgulho pode ser algo legítimo, algo que nos move a realizar bem aquilo que devemos ou nos propomos a desenvolver.




     A vaidade foi um desafio, até porque sua definição no verbete já começa assim: qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória. Valorização que se atribui à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros. E não melhora, então é convencionado que a vaidade é algo a ser evitado. Então eis o desafio, descobrir em que a vaidade pode nos auxiliar no nosso cotidiano, sugeri que a vaidade pode ser aquele desejo de fazer algo que seja admirado pela coletividade, de valor reconhecido. Discorremos por esses meandros mas constantemente vinha à tona um assunto interessante, como é comum nós não conseguirmos nos ver a nós mesmos, visualizando muito facilmente o defeito do próximo e não conseguindo ver em nós o mesmo equívoco; no versículo 4 do capítulo 7 do livro de Mateus, da Bíblia consta um texto muito interessante, nele o autor pergunta como pode você querer tirar o cisco do olho do teu irmão sem antes tirar a trave que está no teu próprio olho, no versículo seguinte, o de número 5, o evangelista admoesta com veemência para que antes de retire a trave do próprio olho para então ajudar ao irmão, por fim, no versículo 6 o autor ensina: "- Não dê aos cães o que é sagrado, nem jogue pérolas aos porcos ..." Ou seja, não convém trazer as pérolas da sabedoria sagrada aqueles que são cheios si, de orgulho e vaidade, como costumo dizer, argumentar com tais pessoas é como jogar xadrez com um pombo, ele derruba todas as peças, caga no tabuleiro e sai voando de peito estufado como que com orgulho de sua obra.

     Concluo assim que, conforme o que consta no livro de provérbios, no versículo 3 do capítulo 20: "Sábio é para o homem desviar-se de questões, mas todo tolo é intrometido." Ou seja, se nosso irmão se sente cheio de sabedoria, não haverá para nós jamais a oportunidade de alertá-lo para sua tolice porque seu coração está cheio de certeza e confiança no seu próprio mérito, o que o torna cego sobre seus limites, e mesmo sobre seus erros, conseguindo ver sempre uma causa externa para qualquer possível fracasso; como tenho insistido, cabe ao peregrino da Luz Maior tão somente o trabalho sobre si e o silêncio, principalmente sobre as virtudes que acredita ter e os defeitos que consegue ver no outro. Lembro que nossos textos aqui servem tão somente para compartilhar ideias e reflexões, não cabendo a nós buscar enquadrar qualquer pessoa nos exemplos aqui existentes.
Frater Cognitor

domingo, 9 de julho de 2017

Conhece a ti mesmo

     A busca, porque realizá-la? Tive oportunidade de entender que, o simples fato de buscar indica que reconhecemos em nós alguma deficiência, o que por si só já é o início de uma caminhada para algum tipo de evolução. Podemos empreender essa busca por diversos caminhos, e quando digo caminhos refiro-me às diversas linhas de pensamento (religiões, filosofias, fraternidades ...) com todas as diferenças que podemos notar claramente entre elas, existem pontos chave em que se consolidam entendimentos bastantes semelhantes, senão idênticos. Em algum momento encontraremos o Centro, a Verdade, o Summum Bonum, o Pai; e esse encontro é a razão última da busca.

 
     Nessa senda que leva à Luz Maior encontramos vários outros viajantes, e aqui, ao contrário do parágrafo anterior, não falo dos sistemas religiosos ou filosóficos estabelecidos, mas do que interiorizamos a partir deles; por vezes imaginamos viajar a mesma viagem, mas esse é um caminho solitário, ainda que percorramos trechos juntos nunca teremos companhia por todo o trajeto, e mesmo esses trechos serão pequenos e raros. Nesses momentos devemos ter dois cuidados especiais, o primeiro é o de não pretender influenciar esse companheiro com nossas interpretações; o segundo é o de não nos deixar influenciar por sua interpretação e eloquência, por mais que pareça clara e racional. Dados os diferentes níveis de evolução espiritual, obviamente, a clareza e profundidade das compreensões serão díspares, por vezes até conflitantes. Saber o momento de deixar um companheiro de viagem é algo indispensável e por vezes aprendido a duras penas, é sempre bom lembrar que não se mede o nível de evolução espiritual de outrem em nenhuma situação, principalmente considerando quanto tempo tem de engajamento à instituição A ou B, se leu o autor C ou D, se escreveu o texto E ou F, ou ainda se realizou a cerimônia G ou H. Portanto cabe ao viajante avaliar somente a si, considerar seus motivos, suas necessidades, sua satisfação, sua paz e principalmente sua fé no caminho que tem percorrido.
     Tenho convicção de que na busca pelo auto conhecimento conquistaremos não só o auto domínio, mas também a capacidade de viver em harmonia com nossos irmãos ainda que nossas ideologias sejam radicalmente diferentes, o que em tese trará uma época de paz e fraternidade para esse mundo em transformação.

▽Frater Cognitor▲

segunda-feira, 19 de junho de 2017

À vida, do começo ao fim do começo, ao fim do começo, ao fim do começo

do Éter para o denso

do universo para o olho.
do olho para a mente.
da boca para o ouvido.
do papel para o silício.

de alma para alma
Tudo aqui, eternamente agora.
a ciência não é o que se descobre,
mas o que se pensa e, principalmente,
o que se sente sobre o descoberto.



viver é aprender a sentir.
sentir sentido no que se vive.
a condecoração não faz o herói.

o título é apenas suporte.
o livro é apenas suporte.
o texto é apenas suporte.
C6H12O6 é apenas suporte.

a vida está no sentimento;
no movimento;
no inquietamento diante do inexplicável ...

é saber que não se sabe.
é viver que não se cabe.
é amar que não se mede.

...

frater Cognitor

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sê como tu é (maturidade)

     Algum tempo atrás tive a oportunidade de escrever neste blog sobre o que a vida espera de nós, responsabilidade, ultimamente estive pensando que não poderemos ser responsáveis se não tivermos maturidade; não falo aqui da maturidade de nos acharmos velhos ou dignos de algum respeito, assim como não falo da responsabilidade imputada ou responsabilização, mas sim da obrigação moral que sentimos de responder pelas nossas próprias ações quando atingimos a maturidade, ou seja, a compreensão de que não passamos de um vapor que aparece por um pouco, e logo depois se desvanece.
     Essa maturidade é muito interessante, ela nos liberta das preocupações com o status, com o julgamento alheio, com a aparência e com os problemas que não existem; ultimamente tenho falado muito desse assunto, todo problema tem sua solução, seja ela difícil ou fácil, se você consegue pensar num problema insolúvel, então o que tem em mente simplesmente não é um problema, mas sim um fato; então o que fazemos com fatos? Bem, com fatos convivemos, da melhor maneira possível, e seguimos a vida a pesar deles; essa compreensão é prova de maturidade; pensemos nos atletas pára-olínpicos, perfeitos exemplos do que é a compreensão da diferença entre o problema e o fato.
     É esse tipo de maturidade que devemos perseguir, a maturidade capaz de tornar cada um de nós como o menino, aptos a encararmos um novo dia, um novo desafio, aptos a nos surpreendermos com algo, a experimentarmos o que a vida tem a nos oferecer; a nos machucarmos no caminho mas não nos determos por isso no processo de auto descoberta do nosso lugar no mundo e do nosso mundo no lugar, o menino sabe intuitivamente; o processo de tolhir o "olhar" analítico, de adequar o comportamento, de alocar aquele indivíduo num nicho da sociedade mina paulatinamente a capacidade de ser e deixar ser quem se é.
     Ele está aí, esse menino interior, apenas aguardando o momento de explorar a vida e rir do que se entende e do que não se entende.

Paz Profunda!
Michel Figueira

domingo, 26 de março de 2017

Coragem caminhante

     Uma bela contribuição do nosso digno frater Afectator a quem agradeço pelo carinho e confiança.

     É necessário correr o risco de viver, é mesmo impossível não fazê-lo, segundo Jean Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre; portanto é necessário perguntar a si mesmo sobre o que lhe traz felicidade e estar em harmonia com suas verdades mais íntimas. Lembro-me quando atravessei certos portais temendo situações que não passavam de erros de interpretação e invenções de minha própria imaginação; fui admitido a essa nova realidade, com passos vacilantes e ansiosos fiz minhas primeiras interferências, contemplei o dom dos meus antecessores, a fraterna cordialidade, abnegação e empenho, tudo agora acontece pra mim em alta velocidade... O poder da paciência e perseverança...


     Seja a virtude que você deseja, espere, seja a luz para os que ainda não enxergaram e espere, aguarde e sinta!!! Não podemos mudar o exterior sem antes passear pelos fantásticos ermos, o grande além de dentro, acredite, persevere, acorde o amor, o poder, que sempre existiu em você...
Fr Afectator.

     Agradecemos por mais essa bela contribuição e chamamos para que compartilhe conosco da tua sabedoria e sempre rogue a Deus pela paz e harmonia universal.

Paz Profunda !

sábado, 25 de março de 2017

Integridade de vida

     A vida é muito mais simples do que apregoam os pseudo-sábios; as Leis de Deus não têm brechas como as dos homens, para os quais, segundo um doutor que foi meu professor na faculdade, o direito é a ciência das exceções; as Leis de Deus são transversais a todos os planos, eu disse todos, se uma lei secular lhe parece injusta ou incoerente pode ser que sua percepção esteja perfeitamente bem fundamentada, mas não acredite por isso que essa legislação tenha escapado aos decretos cósmicos, ela pode estar realmente oposta à nossa interpretação da Lei de Deus mas seus efeitos estão indubitavelmente sendo alvo dela, causando o "incômodo" ao legislador, à casa que legislou e, incontáveis vezes, aos cidadãos que têm condições de equacionar essas questões; as Leis de Deus agem a todo tempo e em todo lugar, uma que explica porque existem leis seculares e atitudes que parecem se opor às Divinas é o livre arbítrio, através desta Lei podemos evoluir pois, sendo responsáveis por nossos atos, obtemos o mérito por nossa própria evolução e, claro, ao usarmos mal a liberdade que temos, criamos a ilusão de estarmos agindo contra Suas Leis, bem como tornamo-nos algozes de nós mesmos ao passo que infringimos Leis eternas, imutáveis, e infalíveis atraindo sobre nós suas consequências, como descrito no capítulo 5 do livro de Deuteronômios, em seu versículo 9, " ... sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem." Esse versículo é muito interessante pois fala não só da Lei, mas também esclarece que nada escapa das Leis do Altíssimo, que zela pela manutenção de Seus desígnios, pra falar um pouco dessa lei vou contar uma conversa que tive com meu filho na segunda, dia 29 de abril, dizia eu para meu filho que observasse tudo o que ele pudesse de sua mãe e de mim pois, muito do que ele será pode ser percebido assim, e que se algo não o agrada, que ele lute contra, os biologistas chamam isso de genética, mas será que a genética já conseguiu isolar o gene que determina uma mania? Ou um temperamento?

     É interessante lembrar que somos seres multidimensionais, não somos, na prática, corpo, alma e espírito; essa divisão tem validade apenas didática, na prática somos tudo isso, e mais, ao mesmo tempo; então se tenho uma dependência química, logicamente, isso interfere no meu espírito, no meu psiquismo, no meu familiar, no meu financeiro pois, tudo está funcionando, ou melhor, tudo é em conjunto; aproveito pra propor um excerto da obra "O Meio Divino", de Pierre Teilhard de Chardin, padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo.




"Não esqueçamos que a alma humana por mais criada à parte que a nossa filosofia a imagina, é inseparável, no seu nascimento e na sua maturação, do Universo onde nasceu. Em cada alma Deus ama e salva parcialmente o Mundo inteiro, resumido nesta alma dum modo particular e incomunicável".

    Depois de tanto tempo sem postar aqui nesses espaço reservado a compartilhar nossas ideias, nossos estendimentos, nossas vivências e sentimentos, convido aos amados que considerem com sinceridade essas palavras, agradeço pela paciência e apoio daqueles que ombrearam comigo, física, psíquica ou espiritualmente no desafio que acabo de cumprir, aos dignos irmãos da Luz Maior o meu Paz Profunda !

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Espiritualidade, religião e fé

Sempre me questiono quanto às diferenças entre espiritualidade, fé e religião, quanto às suas interações, inter-relações; acho que seria exercício longo, extenuante e inconclusivo tentar analisar todos esses aspectos, não obstante, peço que me acompanhem num pequeno e particular exercício analítico:

- Espiritualidade, fé e religião são todos aspectos só encontrados no ser humano, portanto podem ser entendidos como questões não naturais;

- Podem ser aspectos compreendidos como inerentes à intelectualidade, particularidade que nos põe numa perspectiva exclusivamente humana;

Mas quem disse que o ser humano não é parte da vida natural da terra? E porque tendemos a entender os processos de criação das religiões exclusivamente como respostas intelectuais?

Prossigamos, interessantemente as religiões exigem fé em determinados postulados, os dogmas, e de alguma forma tentam sempre padronizar a espiritualidade no sentido de ditar sua experimentação "normal", outro fato interessante a observar é que a fé exigida é incompatível com o estudo, algo que muitas pretendem oferecer segundo seus próprios critérios; digo que é incompatível pois a fé é a firme convicção nas coisas que não se pode provar; então o ensino baseado num modelo cartesiano de pensamento, que afirma que a razão é a única via segura pela qual o conhecimento pode ser obtido, é incompatível com a fé em algo que não se pode provar, mensurar ou demonstrar; interessante também termos em mente que o homem é um ser gregário, e como tal, por várias vezes, se viu impelido a aceitar como válida a ideia convencionada como correta a fim de se ver inserido em um grupo, isso me lembra relatos de casos ocorridos durante a segunda grande guerra onde esposas denunciavam maridos, filhos denunciavam pais, irmãos entregavam irmãos, por não aceitarem as idéias megalomaníacas, então convencionadas como certas, de uma raça pura e superior; algo que compreendi foi que a religião como entidade, como pessoa, tem também seus mecanismos de defesa e autoproteção mas, gosto de lembrar que não há religião superior à verdade.

Agora entendo que espiritualidade é algo muito abrangente, particular e, por vezes, que se pratica sem perceber, nela e através dela demonstramos nossos melhores traços, nossa ética, altruísmo e solidariedade; ela pode ser praticada por cientistas e até por ateus declarados tendo em vista que não necessariamente pressupõe a existência de uma ser criador e soberano mas, sempre é a "materialização de um espírito", o espírito da raça humana, o reconhecimento de si no outro;

Quanto à fé sinto grande dificuldade para expressar-me, a fé é algo tão exclusivamente particular que talvez não possa ser explicada visto que toda explicação é uma delimitação, existem tantas fés quanto seres humanos, mas vou falar de uma fé que tenho observado tem ganhado espaço, a fé no acaso, no não fazer; de alguma forma é algo natural visto que é diretamente proporcional à necessidade de proteção divina; por exemplo: vemos pessoas mal instruídas, carentes financeiramente na maioria das vezes dizendo na porta de um hospital público que, "com fé em deus, conseguirão atendimento e alívio para seus sofrimentos", fé no acaso, mesmo contrariando todo o histórico da saúde pública algo acontecerá e seremos atendidos; o problema com isso é o que acaba manifestando-se na prática,  amanhã estaremos novamente votando nos mesmos candidatos e até nos aborrecendo caso alguém levante uma suspeita contra eles. Como sempre digo a vida cobra de nós cada vez mais responsabilidade, conosco e com a coletividade, e a responsabilidade é prática, ela precisa ter aplicação prática; imaginemos que naquele domingo, dia 27 de janeiro, um jovem chegasse à Boate Kiss e pedisse ao gerente pra ver os sistemas de prevenção contra incêndio e pânico, sem dúvida ele seria convidado a se retirar se não sofresse agressão física por isso; a responsabilidade por minha integridade física tem de partir de mim mesmo.

Diga sua opinião, participe.

A Paz !!!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Pensamento e ação ou pensamentos, palavras e emoções

     Que assunto nos captura? Que coisa absorve-nos? Noutro momento o assunto que chamava-me a atenção era estudado, praticado, perseguido à exaustão. O assunto era poesia? Buscava-se incansavelmente material para leitura, escrevia-se freneticamente, buscava-se pessoas com o mesmo interesse. O assunto era futebol? Lia-se as reportagens sobre os melhores campeonatos, sobre seus atletas, aproveitava-se toda oportunidade de ver e praticar. Nossas opiniões neste processo eram formadas sob muito trabalho e dedicação. 
     Vivemos um momento ímpar de nossa civilização, todos temos direito à opinião, todos temos direito de dizer o que pensamos, todos queremos ser ouvidos, e a maioria de nós pretende ter sua opinião aceita, mas sobre quê tem se fundamentado essas opiniões, que são tantas e sobre tantos temas? Temos investido o necessário esforço na compreensão dos assuntos dos quais pretendemos opinar? Temos praticado o suficiente pra descobrir os verdadeiros desafios envolvidos na manutenção das coisas?



     Ouvimos críticas sobre tudo e por toda parte, raramente se escuta uma sugestão e mais raro ainda uma que se fundamente no conhecimento das causas e das coisas, no entanto, na prática uma sugestão é só mais uma ideia, vivemos num mundo virtual, as ideias não passam hoje de palavras que temos o direito de falar, ou melhor, de teclar, mas não a obrigação de implementar; é quase um insulto esperar que eu desenvolva a ideia que verbalizei. São tempos paradoxais, nunca houve uma tão grande oferta de informação, porém, nunca houve tanta indiferença para com a prática, quase uma completa incapacidade de entender como esses dados funcionam no mundo real, estamos presos num mundo de pensamentos e palavras que morrem antes de, cumprindo seu ciclo, virem ação; particularmente, entendo que é a deficiência do raciocínio lógico capaz de antever o funcionamento da vida sob a influência prática de nossas ações, como disse, fruto de nossos pensamentos e palavras.
     Enfim, parafraseando o filósofo alemão Schopenhauer, o que move o homem não são as coisas, mas sua opinião sobre elas; portanto, se estamos num lugar no qual não encontramos como nos engajar, provavelmente estamos no lugar errado. 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O Inevitável - Desafios

Algumas coisas na vida são inevitáveis; eventos como provas, doenças, relacionamentos, e a morte estão no caminho da grande maioria de nós; como situações inevitáveis, passaremos por elas com menor angústia se observarmos alguns conceitos simples, pra começar, todo problema tem sua solução. Então, apreende-se que, o que não tem solução não é problema? Sim. Mas e a morte? Boa pergunta, a morte é um fato da vida. Tudo que nos causa angústia e não tem solução são fatos. Mas o que fazer então com esses fatos? O mesmo que se faz com todo fato, convive-se; por exemplo, milhares de filhotes de várias espécies de pássaros são predados diariamente, sabemos desse fato e convivemos com ele, ou então, sabemos que teremos nosso derradeiro momento, no entanto, convivemos com esse conhecimento, claro, existem pessoas que não conseguem lidar bem com isso, são pessoas que desenvolvem fobias, somatizam temores, aí sim criando problemas a partir de um fato, é importante observar que nenhum problema dos criados em virtude do fato o exclui ou retarda, pelo contrário, em alguns casos até o antecipa; é, assim são os fatos, inexoráveis niveladores da espécie humana.

Nessa oportunidade falarei sobre desafios, um fato muito comum nas nossas vidas, praticamente diário. Algumas pessoas já iniciam o dia enfrentando o desafio de levantar de suas camas; para outras há o desafio de lutar pelo sustento, próprio e dos seus; há os desafios da busca por realização profissional, dos litígios em busca de garantias de direitos, e muitos outros; há, no entanto, uma angustia causada pelo receio de um possível fracasso na empreitada, o medo; o medo do novo, do desafio, é um problema; para esse problema existe como solução a coragem, coragem que não é o antônimo do medo, o medo é um reflexo de autoproteção ante algum perigo ou desconforto, coragem é a capacidade de agir apesar do medo; quem não tem medo é intrépido, audaz, e por vezes se vê em situações extremamente desconfortáveis que seriam facilmente evitadas utilizando-se de uma dose, por vezes pequena, de prudência; coragem é a capacidade de agir após ponderar os ricos, o custo benefício da empreitada; essa análise não precisa ser baseada em dados cientificamente colhidos, nem requer a apreciação cartesiana de relatórios estatísticos; geralmente ela simplesmente baseado na experiência de vida.

Independente da conclusão a que se chegue, aceitar ou não um desafio, tenhamos em mente que eles sempre virão, um após o outro demandando sempre uma tomada de posição; os desafios vencidos sempre elevam-nos o moral, aumentando nossa capacidade de agir, nossa alegria; e dos desafios que não conseguimos superar sempre tiramos a experiência que, se não é o objetivo dessa vida, ao menos aperfeiçoa nossa capacidade para desafios vindouros; como dito em uma postagem anterior a vida cobra de nós responsabilidade, e ela sempre vem, pela ação ou pela omissão; particularmente prefiro errar tentando acertar a omitir-me e não me arriscar ao sucesso, sim, ao sucesso, pois é o único risco que se corre tendo em vista que o fracasso de não cumprir o desafio é claro para aqueles que o aceitam, enfim encerro esse breve texto com um conceito que apesar de bem difundido não consta na Bíblia desta mesma forma.



Os covardes não herdarão o Reino dos Céus.
Ideia extraída do texto constante em Apocalipse 21,8

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A Plenitude do Tempo

Em um trono de ferro enferrujado,
Além da mais longínqua estrela do espaço,
Eu vi Satã sentado sozinho;
Velha e abatida estava sua face,
Pois seu trabalho estava feito e ele
Descasava na eternidade.

E para ele, de dentro do sol,
Veio seu pai e amigo,
Dizendo: "Agora o trabalho está feito
A inimizade chegou ao fim".
E levou Satã
Para o Paraíso que ele conhecia.

Gabriel, sem expressar reprovação;
Uriel, sem a lança;
Rafael, cantarolando;
Todos saudando seu amigo e par,
Sentaram-se ao lado de
Alguém que tinha sido crucificado.

James Stephens, poeta irlandês.

sexta-feira, 28 de março de 2014

A Grande Descoberta

Abro os olhos e vejo que está chovendo. Estou no beco, sozinho e completamente molhado.
Mais um dia de angústias se anuncia.
É manhã de terça... Ou quarta?... Não sei!
Meu estômago reclama. Começo então a revirar o lixo a procura de comida; em meio aos dejetos abandonados pela sociedade busco minha sobrevivência, após algum tempo, ironicamente, encontro.
Alimentado – se é que assim posso dizer – procuro um lugar para descansar e me proteger do frio. Uma caixa de papelão que, aparentemente pelas figuras nela contidas abrigou um fogão, será por enquanto meu abrigo.
Agora em minha nova “casa”, um pouco aquecido e tremendo menos, me perco em meus pensamentos: vislumbro uma mesa cheia de gostosuras, uma casa quentinha e bonita, alguns passarinhos cantando e um raio de sol se esforçando para atravessar as cortinas no intuito de me tocar...
Um pingo me desperta...
A chuva umedeceu o papelão, rolo para um pedaço seco do papelão e esforço-me na tentativa de recuperar meu pensamento, quero minha mesa, minha casa, meus passarinhos, meu sol... Em vão! Terei que enfrentá-la!
Cansado de todo este padecer outro pensamento toma conta de minha consciência, mas agora não é fictício. É real, mais uma vez me questiono.
Qual será o motivo disso tudo?
Será que sou o resultado de uma sociedade fracassada, na qual, seus governantes mantém um quadro histórico-social de desníveis, onde poucos são favorecidos e a grande maioria, iludida com os grãos de milho que lhes são lançados, se entorpece e aceita este tipo de quadro, não demonstrando insatisfação, que indubitavelmente a faria tomar uma atitude melhoradora, reformadora, renovadora?
Ou será que sou um produto dos meus próprios atos?
Será que nunca observei claramente a situação, e também iludido escondo-me, como uma tartaruga em seu próprio casco, não tendo iniciativa e não tomando atitudes de melhoria, ficando entregue a uma auto-inatividade e, como muitos, fingindo não conhecer a resposta – mesmo a conhecendo – ergo, assim, brados em direções diversas, tentando achar um culpado para aquilo que eu mesmo criei?
Oh, D’us! Foram tantas as noites e os dias vendo as pessoas passarem, e delas ouvindo coisas do tipo:
_ Ah! Que nojo.
Ou então:
_Ah! Por que ninguém toma uma atitude quanto a isso.
Mas ninguém nunca me ergueu a mão. As pessoas preferem virar o rosto e fugir enojadas, a se preocuparem comigo; por isso até hoje estou assim, com fome, molhado, e dentro de uma caixa de papelão...
De repente ouço gritos.
_ “Ali, ali”.
E acredito conhecer as vozes que surgem de repente em meio à chuva e ao caos urbano.
_ “Ali, dentro da caixa de papelão”.
Realmente as conheço.
São eles. Jovens desumanos que se divertem comigo, abusando de minha incapacidade de reagir!
E então ouço o grito que para mim significa - “fuja”.
_ “Mata”.
Tento correr, mais estou fraco, e logo sinto aquela dor forte na barriga ocasionada por um chute que um dos jovens me dá. Rolo e gemo. Imploro para eles pararem, mas parece que eles não conseguem compreender o que digo e continuam em sua investida mortal contra mim. Não posso ficar aqui, devo correr, pois se fico será o meu fim.
No meio de minha fuga desesperada, e do ataque ensandecido dos jovens, latas de lixo são atiradas ao chão, e as poças d’água formadas pela chuva perdem sua limpidez, tornando-se finalmente coerente com o quadro geral daquele fétido beco.
Como por um milagre consigo me esconder, de meu esconderijo vejo meus algozes praguejando e me procurando. Demora algum tempo, mas, cansados e sujos em meio ao lixo, eles desistem de minha procura e se vão.
Agora estou fraco, ferido, sangrando e me interrogo por que não os enfrentei, talvez por algum milagre eles alcançassem seu objetivo finalizando de uma vez todo esse padecer.
Mas isso já não importa. Espero mais alguns minutos e saio de meu esconderijo, devo achar um lugar seguro para descansar e tentar curar os males que me causaram.
E foi aí, nesse instante de dor e medo, numa tentativa instintiva de sobrevivência, que o mundo com toda a sua incoerência me deu a resposta pela qual há muito almejava, e que tanto me parecia inalcançável.
Ao sair de meu esconderijo passo por um espelho quebrado... Olho meu reflexo... E descubro...
Sou um rato.

Filitus Lux

terça-feira, 4 de março de 2014

Equação da vida feliz

"Deus geometrizou !"
Pitágoras

A lógica reina em todo o universo de acordo com o pensamento pitagórico logo, deve haver um sistema, uma fórmula, para se chegar a dita felicidade; porque então é tão difícil encontrar a danada!?

Talvez o termo felicidade careça de definição, talvez a felicidade não seja algo em si mas, uma resposta do indivíduo aos estímulos externos, portanto, a felicidade estaria "dentro" apenas aguardando uma chave, um gatilho. Também precisamos considerar o que tem para nós valor, e atribuir valor é algo só nosso, só humano. Nesse momento de fim de ano somos por muitas vezes acometidos daquele desejo de fazer planos para o novo ano, é como se procurássemos algum novo valor, que fosse superior aos outros, para trazer mas felicidade para nossas vidas mas, miramos um horizonte melhor com base nos mesmos valores.

Não seria pois o caso de mudarmos o foco e deixar nossa mente livre para encontrar novos estímulos?

Se considerarmos a felicidade apenas uma resposta nossa aos estímulos externos então, muito provavelmente, a encontraremos em algum "lugar" ainda não experienciado. Vale também lembrar o benefício de viver novidades, de sair da "zona de conforto" aprendendo coisas novas, o desafio é benéfico à mente, mantendo-a jovem, claro que tudo deve ser feito com decência e ordem.

Vamos então a um novo ano, em busca do que existe e não existe.

Michel Figueira, FRC. 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Avante Bombeiros

Recentemente tenho sido compelido a escrever sobre minha leitura da heráldica do símbolo do glorioso Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro; cabe esclarecer que esse é um execício particular de simbologia, não sendo a versão oficial adotada pela corporação.

Todos conhecemos grupos que se denominam fraternidade, irmandade, religião e tantos outros onde seus membros se tratam por irmãos; isto posto o que dizer de uma organização denominada corpo, onde cada um de seus integrantes é membro do mesmo; a partir daí já podemos vislumbrar a abrangência do ideal ético deste grupo.

Vamos ao execício livre da heráldica do áureo e rubro pendão.



A tocha, é símbolo do fogo em movimento, da vontade, do desejo de cumprir o dever, a missão; símbolo do amor e dedicação ao ideal ético do Bombeiro; simbolo também de conhecimento, demonstra que o bravo soldado do fogo não recua ante o perigo, utilizando-se de técnica e coragem no cumprimento de sua nobre missão.

Os machados cruzados simbolizam a natureza áspera do trabalho, o fato de serem um par simboliza também que um Bombeiro nunca está só, sendo sempre auxiliado e protegido por seus companheiros.

A mangueira tem esguichos em ambas as extremidades simbolizando a lei do retorno, o perigo a que se expõe o bravo no cumprimento do dever, bem como sua disposição em cumpri-lo onde quer que se apresente.

O escudo demonstra o amparo e apoio dispensado pela corporação aos seus valorosos homens e mulheres, simboliza também o amparo de Deus na sua sagrada missão.

A estrela, símbolo da vida e de seu ciclo, evoca o sacerdócio que é a carreira de Bombeiro-Militar que, mesmo convivendo com a mais dura realidade, não endurece seu coração, cumprindo sempre com amor seu dever para com o cidadão.

A essa briosa corporação minhas mais sinceras homenagens, meus mais profundos agradecimentos e minhas mais caras aspirações.

vitae alienam et bona salvare

Por Michel Figueira, FRC
3° Sgt BM Q00/98

domingo, 22 de dezembro de 2013

O eixo é foco !

Penso que a vida é tão curta; ontem era um garoto, brincando, correndo, saltando; repentinamente me encontro já saudoso das tardes de conversas desinteressadas, dos piques, das doces frutas da estação colhidas e comidas no "pé".



Refletindo mais profundamente, acredito que o foco é o eixo da vida; temos nossa vida sempre orbitando o que focamos. Quando crianças tudo é pra nós novidade, focamos em conhecer o mundo, nunca pomos nossa atenção nos perigos ou no que gostaríamos de proteger, estamos buscando a diversão as amizades, isso é bom. Mas o tempo passa e já não temos tantas coisas nesse mundo para descobrir, passamos a observar e preservar mais o que já temos, aí aparecem as angustias, afinal, essa via é uma vapor que aparece e logo se desvanece.
Tenho feito uma experiencia e dela, colhido bons frutos. tentem comigo, por uma semana no mínimo focar na cor do teu carro, ou do carro do vizinho, caso tu não tenhas; não quero que entendas com isso que te sugiro ficar olhando o carro mas sim, ter em mente aquela cor, verás quanto ela lhe aparecerá, aparentemente, mais vezes durante o dia, em roupas, muros, filmes; de quebra, perceberás quando findares teu experimento que, uma série de preocupações não estão mais lá, simplesmente porque mudastes deliberadamente o foco um pouquinho.
Digo uma semana no mínimo porque a mente objetiva precisa de treino, disciplina, perseverança e, o corpo físico precisa de tempo pra responder ao estímulo psíquico, ao menos nas "primeiras" tentativas.

Aguardo aqui, nos comentários, os relatos dos resultados obtidos pelos amigos que se dispuserem a realizar comigo essa experiência.

A Paz !!!

domingo, 15 de dezembro de 2013

O caibalion


(ritmo)

"- Da vida o ciclo segue a variante -
assim falou-lhe o mestre sapiente -
que oscila eterna e rigorosamente
do zênite ao nadir, sempre constante.

- da natureza a lei mais atuante,
que manifesta está tão claramente,
revela um movimento permanente 
entre os pólos opostos, todo instante.

- e o verdadeiro sábio compreende,
que este fluir contínuo independe
de todo e qualquer tipo de atitude.

- sendo preciso apenas pra findar-se
o seu efeito, a mente concentrar-se
da neutralização na fortitude."

drol redaj

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Eu sou . . .

Eu sou aquele a quem devias ter amado,
Sou quem te protegeu do infortúnio,
mesmo quando esquecido e desprezado.

Eu sou aquele a quem devias ter ouvido,
Sou quem te alertou para o perigo,
mesmo quando sufocavas o meu grito.

Eu sou aquele a quem devias ter seguido,
Sou quem te falou ao pé do ouvido,
mesmo quando meu falar foi reprimido.



Agora, no derradeiro instante,
longe dos títulos e praxes,
Há de conhecer-me face a face.

Reconhecer-me em ti
para no esplendor renascer
Assim enfim saber . . .

que:

Sou teu Eu.


Frater Cognitor.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Quem, pois, uniu a rosa à cruz?

(J. W. von Goethe)

Quem deu ao ser humano o pensamento
que se elevar a mente persuade?
Quem fez crescer non peito o sentimento
que lhe instigou à busca da verdade?

Quem rege do viver o movimento
que nos conduz do todo à unidade?
Quem faz nascer o puro entendimento
que nos concede, enfim, a liberdade?

Quem é este secreto e grande nume,
que o peregrino segue, e cujo lume
na câmara secreta 'inda reluz?

Que há tanto inspira e guia a nossa raça,
nos ofertando a mais sublime graça...
Quem, pois, uniu a rubra rosa à cruz?


Drol Redaj